Cabeçalho do site de A Mulher Alcoólica

 

Al-Anon

 

Família

Al-Anon é uma associação de homens e mulheres cujas vidas foram afetadas pela maneira de beber de um familiar ou amigo, sendo este o único requisito para ser membro. É autossuficiente, e se mantém através das contribuições de seus próprios membros, não aceitando doações de fora. É alheio a movimentos e controvérsias; não é profissional e não está ligada a nenhuma seita, religião, movimento político, organização, clínica ou instituição.

É um programa de vida que proporciona mudanças de atitudes que levam à conquista da autoestima e da serenidade.

Não é uma organização religiosa, nem de assistência social; e sim grupos de autoajuda, cujos membros respeitam o anonimato uns dos outros.

 

O  Al-Anon é para você?

 

 As perguntas abaixo foram feitas para ajudar você a decidir se precisa do Al-Anon:

  1. Você se preocupa com a quantidade que outra pessoa bebe?

  2. Você mente para encobrir que outra pessoa bebe?

  3. Você culpa as companhias do alcoólico por seu comportamento?

  4. Você faz ameaças, como: “Se você não parar de beber, eu o deixarei”?

  5. Você ficou magoado ou envergonhado pelo comportamento do alcoólico?

  6. Você já pensou em chamar a polícia por medo da violência?

  7. Você procura bebida escondida?

  8. Você muitas vezes anda de automóvel com um motorista que esteve bebendo?

  9. Você já recusou convites sociais por causa de medo ou ansiedade?

10. Você às vezes se sente frustrado, quando pensa nas medidas que tornou para controlar o alcoólico?

11. Você acha que o alcoólico parasse de beber, seus outros problemas seriam resolvidos?

12. Você já ameaçou se machucar para amedrontar o alcoólico?

13. Você sente raiva, confusão ou depressão a maior parte do tempo?

14. Você sente que ninguém entende seus problemas?

 Se você respondeu sim a três ou mais dessas perguntas, o Al-Anon poderá ajudá-lo.

 

SIACAR - Serviço de Informação Al-Anon/Alateen de Campinas e Região
Tel: (19) 3236-4398

 siacar.alanon@hotmail.com

 

Família

O antes e o depois de A.A.

         Eu sou Lúcia uma Al-Anon. Venho de uma família de alcoólicos. Mesmo vivendo no meio do alcoolismo, sempre tive o sonho de encontrar um homem que não bebesse e que me amasse. Conheci o M. e quando nossos olhares se encontraram, foi mágico... pensei: este é meu grande amor! Namoramos e casamos.

         Ele era o melhor companheiro, marido ideal, tudo de bom. Quando nasceu nossa filha senti que o M. começou a mudar, começou a ir ao bar e chegava tarde em casa. Ele estava bebendo, que tristeza meu Deus! Eu não queria acreditar, tudo de novo! Para meu desespero foi piorando, todos os dias antes de chegar em casa ele passava no bar.

         Começaram minhas cobranças, discussões, brigas; ele me fazia promessas e eu acreditava...Eu conversava com Deus pois queria um grande amor, e agora olha o que estava acontecendo. Eu não queria abandonar o meu marido, porque prometi ser fiel, cuidar dele na alegria, tristeza, mas com as bebedeiras eu não sabia o que fazer.

         E assim o tempo foi passando... dias, meses, anos...

         Veio mais uma gravidez e as promessas que tudo ia mudar. O M. mudou, não estava bebendo, ficava mais em casa como eu era feliz.

         Tudo ia muito bem até o M. quebrou a promessa e começou tudo de novo, amigos, bar que tristeza. Dizia que pararia quando quisesse, mas não era verdade ele não conseguia. Eu tentei de tudo, fizemos encontro de casais, orações apelava, fingia que não estava bem, fazia chantagem e nada.

         Um dia decidi dar um cheque mate! Foi quando ele procurou ajuda de A.A. no grupo Boa Vista de Limeira. Era minha última esperança! 

         Para nossa felicidade o M. se identificou com os companheiros e começou uma nova fase em nossas vidas. Não era fácil, mas sem o álcool tudo era melhor; reinava a paz, tínhamos muita vontade de construir tudo de novo; foi assim, uma luta árdua, constante, mas felizes;  estávamos juntos com as crianças crescendo e nós nos apoiando um ao outro.

         Tivemos muito apoio de amigos e familiares, o M. ia crescendo a cada dia na programação de A.A. pois era dedicado e se colocava à disposição. Ele era grato a Deus e à Irmandade.

         Eu conheci o programa Al-Anon no mesmo tempo que o Márcio. Amei buscar ajuda para mim, minha família e viver melhor com meu marido, um apoiava o outro. Fomos muito felizes juntos, nossas filhas crescendo, nossos sonhos sendo realizados. Foram 13 anos de recuperação, busca e realizações. A.A. era a continuação da nossa família, pois sou muito grata a todos.

         Hoje o M. já não está mais entre nós, mas sei que meu marido partiu sóbrio, emocionalmente e espiritualmente amando e acreditando na Irmandade e em seus companheiros, que tanto o apoiaram. 

         Nos recuperamos juntos: eu, ele e a minha família.

         Obrigada meu Deus por tudo, pelo A.A. e pela nossa recuperação.

Lúcia

 

Família

FALANDO COM DEUS

         Vejo Senhor, pobres mulheres como eu, se debatendo no sofrimento da solidão. Nossos maridos não nos veem; eles veem o álcool como sua melhor companheira.

         Crianças, filhos do nosso amor, sofrendo com um pai ausente, distante de tudo....mesmo estando sob o mesmo teto. Clamam pelo Pai, que os olha, mas não os vê.

         Maridos tristes, transpirando suor, agoniados, sujos, e tendo a consciência de tudo, mas não conseguem mudar. A bebida fala mais alto do que qualquer coisa na sua vida também sofrida. Perdem tudo... esposa, filhos, vida social, empregos e famílias.

         Ah! Mas a bebida não, esta ele não deixa. A bebida é nossa maior rival e também o maior mal para eles, só que, infelizmente eles não conseguem entender isto...

         No silêncio e no vazio de nossas almas, oramos para que o Senhor Deus, lá do alto nos socorra, dando-nos sabedoria e paciência e rogamos também que dê aos nossos maridos a Fé que os possa livrar deste infortúnio que é esta doença chamada alcoolismo.

         Quantas vezes, nossos maridos nos pedem um remédio para o estomago, ou a cabeça que dói e nós, sabendo que a dor física é reflexo da dor mental, do excesso de bebida damos um remédio qualquer. Passada a “ressaca” voltam para ela... a bebida...

         Graças te dou Senhor, pois meu marido procurou Alcoólicos Anônimos. Hoje, um ano e cinco meses depois, posso dizer: a minha fé nos salvou. Meu marido frequenta um Grupo de A.A, e eu frequento um Grupo de Al-Anons. Estamos nos refazendo, trocando os curativos todos os dias e as feridas de tanto sofrimento e tantas ofensas vão cicatrizando aos poucos, assim como a conquista dos filhos e amigos.

         Gostaria de dizer que somos gratos a A.A., que nos devolveu a vontade de viver e às Al-Anons que me ensinam como viver! É muito bom estar viva e sem amarras, poder sorrir novamente e ainda dizer ao meu marido: Eu te amo, assim como ele me diz: eu também te amo.

Obrigada Senhor Deus, por nos devolver à vida.

Léia

 

Família

PRUDÊNCIA

Só me dei conta de que a filosofia de Alcoólicos Anônimos tem como alicerce a virtude da Prudência quando ouvia meu familiar, no início de sua recuperação dizer: - “vou evitar o primeiro gole, só por hoje!”.

Apreensiva eu perguntava: - e amanhã?

Ora, dizia ela: - vou com calma! Amanhã a Deus pertence!

Aí fui me inteirando dos fatos: * evite o 1ª gole; * vá com calma; *um dia de cada vez; * a repetição diária de: sou fulano, uma alcoólica em recuperação; * a aceitação; * a tolerância e acima de tudo: * fugir das ocasiões propícias ao 1ª gole. Então isso tudo não é Prudência?

Conclui assim, que a Prudência é a base do programa de recuperação dos AAs. Sim, porque a Prudência é a virtude que nos faz conhecer e praticar, oportunamente, o que é bom.

A Prudência sabe escolher meios e os Doze Passos de A.A. oferecem àqueles que estão em recuperação uma qualidade de vida, porque não basta tapar a garrafa.

Implicitamente a Prudência se manifesta em todos os Passos com seus três elementos: A Reflexão: todo homem prudente pensa antes de agir. Meu familiar sempre se recorda do seu sofrimento anterior à abstinência, do seu último porre, do medo da recaída e porquê? Por causa do sofrimento dela e da família A Determinação: todo homem prudente depois de pensar toma uma decisão. Um AA. prudente procura ser justo consigo mesmo e com os outros. A Realização: todo homem examina bem um assunto antes de decidir-se sobre ele e este, só se torna um ato de prudência, quando realizado.

 Os AAs, para não voltarem a beber têm boa disposição e ânimo para aceitar as sugestões do Programa de A.A. Como eles dizem: - Força de vontade não basta; para que a realização se concretize é necessário ter “boa vontade”, pois força de vontade é uma atitude isolada e boa vontade resulta do “compartilhar experiências, forças e esperanças”.

H.F.

 

Mãos

GRATIDÃO

 

Durante algum tempo frequentando as reuniões de Al-Anon eu não percebia a diferença  entre externar a minha gratidão através de palavras e vivenciá-la como um sentimento que pressupõe ações concretas das quais eu dependia para me manter em recuperação.

Na minha caminhada espiritual ao longo dos Doze Passos, o Passo Doze iluminou meu entendimento a respeito do significado da palavra “gratidão” dentro do programa: “Tendo tido um despertar espiritual por meio destes Passos, procuramos levar esta mensagem a outras pessoas e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.

Eu estava, literalmente, diante da materialização do termo gratidão: levar a mensagem a outras pessoas passando adiante o entendimento do programa. E praticar estes princípios em todas as nossas atividades me fez ver o descompasso entre a minha mensagem dentro do grupo e fora dele ao expressar a minha “eterna” gratidão pelo programa que me proporcionara uma nova vida repleta de experiências saudáveis, forças renovadas e esperança firme. O paradoxo estava no fato de que, concretamente, eu não estava repartindo estas dádivas com outras pessoas. Eu não estava praticando estes princípios em todas as minhas atividades. Compreendi então, que além da leitura, reflexão, e aplicação dos Doze Passos em minha vida pessoal eu deveria compartilhá-los com outras pessoas. E de forma bastante simples eu podia fazê-lo, como, por exemplo, dispensando ao recém-chegado no grupo a mesma atenção carinhosa que me foi oferecida quando lá cheguei me sentindo sozinha e isolada. Isto é gratidão. Mas, foi na prestação de serviço com amor que descobri o verdadeiro sentido do termo em questão como a forma genuína de “dar de graça o que de graça recebi” ao disponibilizar parte do tempo que o meu Poder Superior me concede para prestar serviço ao Al-Anon contribuindo de forma consciente com a Tradição Sete para que o Al-Anon esteja disponível àqueles que estão sofrendo as consequências do alcoolismo, a doença da família, e para que possamos manter a Associação viva, atuante e sem interferências de pessoas de fora. Preciso contribuir com as finanças e com as atividades lembrando que quando eu cheguei, muitas mãos se estenderam para mim, sendo, agora, a minha vez de retribuir.

Quando eu levo os ensinamentos que o programa me proporciona para os meus relacionamentos - dentro e fora do Al-Anon, isto também é gratidão. É atitude que gera compromisso, participação consciente e efetiva, é desprendimento voluntário em prol do objetivo maior: “Prestar ajuda a familiares e amigos de alcoólicos”.

Compreendo hoje que não basta que eu me expresse através de palavras o quanto sou beneficiada pelo programa; minha gratidão precisa e deve ser acompanhada de reflexão autêntica nas atitudes concretas, capazes de produzir frutos de cooperação, amor e generosidade. Ao materializar a gratidão em ações, estarei reconhecendo a oportunidade que recebi do meu Poder Superior de, através do programa Al-Anon poder manter minhas vinte e quatro horas de serenidade, e de estar atenta para não retornar aos antigos padrões de comportamento. Ao lembrar que o exemplo será sempre a minha melhor mensagem e deve  perpassar todas as minhas atividades, estarei exercendo a gratidão.

ROSA

 

 

Se você não tem problemas com o alcoolismo, ótimo! Mas, se conhece alguém que sofre e não sabe que há uma saída após esta leitura poderá orientar.